uma névoa pegajosa me envolve
estou entre a vigília e a consciência
tento gritar por socorro
mas meus lábios não se movem
sinto algo me puxando para o vazio
que existe dentro de mim
e que não me deixa
por mais que eu tente
abro os olhos
e nada vejo
estou cega
pela minha própria dor
as lágrimas caem
uma após a outra
mas não trazem alento
e nem diminuem o sofrimento
não sinto mais meu corpo
apenas uma casca vazia
e desprovida de coisas boas
elas se foram contigo
me torno a cada dia
minha própria inimiga
minando cada momento de paz
cada momento de alegria
remoendo incansavelmente minha dor
lembranças que corroem e dilaceram minha alma
não consigo evitá-las
elas contraem meu estômago
as imagens me machucam
e me sinto convulsionar
não sei se sou ingênua
ou crédula demais
a névoa me envolve mais e mais
o estado de torpor é invitável
não sei se me tornarei uma borboleta
dentro do meu casulo de dor e sofrimento
sábado, 3 de janeiro de 2009
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Enquanto rastejo em minha auto-comiseração
Vasculho em minhas lembranças
E em cada momento sinto você
É estranho sentir quando lembramos
Mas é isso que acontece
Sinto você
Seu sabor
Seu cheiro
Seu toque
Tudo muito vívido
Tudo muito real
A espreita
Sinto como se te prendesse em meu olhar
Em meus lábios
Em minhas mãos
Mas isso não é possível
A dor reclama seu lugar
E por fim, meu coração se entrega
O calor dá lugar ao frio
E sinto um terror subindo pela minha espinha
Já devia estar familiarizada
Nada é bom demais para durar
Ou talvez
Eu não seja boa o suficiente para que algo dure
A solidão me envolve
Não ouço mais seu riso
Seus sussurros
Não sinto mais teu calor
Apenas minha dor
E descubro com pesar
Que não sou mais ao redor de você
E nem você ao redor de mim
Sou apenas eu
Mais um vez
Incindicional e irrevogavelmente
Sozinha
Vasculho em minhas lembranças
E em cada momento sinto você
É estranho sentir quando lembramos
Mas é isso que acontece
Sinto você
Seu sabor
Seu cheiro
Seu toque
Tudo muito vívido
Tudo muito real
A espreita
Sinto como se te prendesse em meu olhar
Em meus lábios
Em minhas mãos
Mas isso não é possível
A dor reclama seu lugar
E por fim, meu coração se entrega
O calor dá lugar ao frio
E sinto um terror subindo pela minha espinha
Já devia estar familiarizada
Nada é bom demais para durar
Ou talvez
Eu não seja boa o suficiente para que algo dure
A solidão me envolve
Não ouço mais seu riso
Seus sussurros
Não sinto mais teu calor
Apenas minha dor
E descubro com pesar
Que não sou mais ao redor de você
E nem você ao redor de mim
Sou apenas eu
Mais um vez
Incindicional e irrevogavelmente
Sozinha
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
O sono me envolve
Ouço o barulho da chuva a retinir no sino da igreja
Penso corcunda que o toca
No noivo que espera sua amada no altar
Nos que confessam seus pecados em busca de absolvição
Nunca me confessei
Mas minha alma vive em penitência
Percorro por caminhos putrídos
Escuros, lodosos, inabitados
Só dor e sofrimento
Por mais que suplique
Por mais que tente me redimir
Por mais que dê o melhor de mim
Não passo de uma corcunda
Que fica no alto da torre tocando seu sino
Ouço o barulho da chuva a retinir no sino da igreja
Penso corcunda que o toca
No noivo que espera sua amada no altar
Nos que confessam seus pecados em busca de absolvição
Nunca me confessei
Mas minha alma vive em penitência
Percorro por caminhos putrídos
Escuros, lodosos, inabitados
Só dor e sofrimento
Por mais que suplique
Por mais que tente me redimir
Por mais que dê o melhor de mim
Não passo de uma corcunda
Que fica no alto da torre tocando seu sino
domingo, 9 de novembro de 2008
Percorri os caminhos tortuosos da minha mente
Encontrei dor, sofrimento, num vale de lágrimas
Profundo e inexoravelmente negro
A cada passo sentia-me afundar
O aspecto lodoso me dá nojo
É escorregadio e pérfido
Sinto-me sozinha ao longo dessa viagem
O frio e a dor me envolvem
É extremamente flagelante
Meus pés, já não os sinto
Há apenas um rastro de sangue e auto-piedade
Sangue de um coração ferido
Sinto-me suja
Mas como limpar uma mente
Que há muito já não experimenta a vida?
Encontrei dor, sofrimento, num vale de lágrimas
Profundo e inexoravelmente negro
A cada passo sentia-me afundar
O aspecto lodoso me dá nojo
É escorregadio e pérfido
Sinto-me sozinha ao longo dessa viagem
O frio e a dor me envolvem
É extremamente flagelante
Meus pés, já não os sinto
Há apenas um rastro de sangue e auto-piedade
Sangue de um coração ferido
Sinto-me suja
Mas como limpar uma mente
Que há muito já não experimenta a vida?
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Então eu resolvi tocar-te
E como sempre tudo virou escuridão
Minha mente não permiti o descansar
O sentir, o amar, o passar, o desejar
Ela anseia pelo sofrimento
E viaja ao vale das sombras
Idéias inquietantes pululam frenéticamente
Em uma transmissão elétrica veloz
Numa ferocidade impressionante
Simula fatos que não existem
Encontra provas que não estiveram ali
E passo a não viver
Deito-me sob o salgueiro chorão
E fico a imaginar
Será que um dia poderei simplesmente amar?
Sem me preocupar com meus próprios paradigmas
Sem pensar nessa escuridão que me envolve
Sem sentir o frio da solidão
E como sempre tudo virou escuridão
Minha mente não permiti o descansar
O sentir, o amar, o passar, o desejar
Ela anseia pelo sofrimento
E viaja ao vale das sombras
Idéias inquietantes pululam frenéticamente
Em uma transmissão elétrica veloz
Numa ferocidade impressionante
Simula fatos que não existem
Encontra provas que não estiveram ali
E passo a não viver
Deito-me sob o salgueiro chorão
E fico a imaginar
Será que um dia poderei simplesmente amar?
Sem me preocupar com meus próprios paradigmas
Sem pensar nessa escuridão que me envolve
Sem sentir o frio da solidão
sábado, 11 de outubro de 2008
Sinto como se o dia e a noite fossem um só
Não vejo o início nem o final de cada um
Sinto como se fosse eterna minha solidão
Já nem sei mais a quanto tempo vago na escuridão
Sinto como se meu corpo já não existisse mais
E cada passo que dou torna-se um movimento involuntário
Sinto como se minha mente já não mais funcionasse
Transformei-me num ser autômato acostumado a sofrer
Sinto como se houvesse um buraco no lugar do meu coração
Mas existe algo que pulsa em seu lugar
Sinto que o tempo nada mais significa
Senão apenas a passagem das lágrimas de dor para as lágrimas de horror
Sinto como se algo faltasse em minha pseudo-vida
Falta uma pseudo-felicidade pra preencher os dias-noturnos intermináveis
Não vejo o início nem o final de cada um
Sinto como se fosse eterna minha solidão
Já nem sei mais a quanto tempo vago na escuridão
Sinto como se meu corpo já não existisse mais
E cada passo que dou torna-se um movimento involuntário
Sinto como se minha mente já não mais funcionasse
Transformei-me num ser autômato acostumado a sofrer
Sinto como se houvesse um buraco no lugar do meu coração
Mas existe algo que pulsa em seu lugar
Sinto que o tempo nada mais significa
Senão apenas a passagem das lágrimas de dor para as lágrimas de horror
Sinto como se algo faltasse em minha pseudo-vida
Falta uma pseudo-felicidade pra preencher os dias-noturnos intermináveis
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Havia luz até alguns instantes atrás
Caiu a noite
Lúgubre e fúnebre
Levanto meu olhar para o negrúme
Sinto a névoa ao meu redor
E me ajoelho
A insegurança me rodeia
E oro
Clamo
Peço misericórdia pelos meus atos
E espero
Aguardo em silêncio pelo meu julgamento
Até quando ficarei assim
Nas trevas
Na escuridão
Pagando sozinha por erros
Que não foram somente meus
Mas que eu deixei que acontecessem
Até quando
Eu grito
E só escuto o eco da minha voz
Caiu a noite
Lúgubre e fúnebre
Levanto meu olhar para o negrúme
Sinto a névoa ao meu redor
E me ajoelho
A insegurança me rodeia
E oro
Clamo
Peço misericórdia pelos meus atos
E espero
Aguardo em silêncio pelo meu julgamento
Até quando ficarei assim
Nas trevas
Na escuridão
Pagando sozinha por erros
Que não foram somente meus
Mas que eu deixei que acontecessem
Até quando
Eu grito
E só escuto o eco da minha voz
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