domingo, 31 de outubro de 2010

Sentada à beira do precipício
Contemplo a chuva incessante
Como uma cortina
Que turva minha visão

Minhas vestes estão molhadas
O frio que percorre meu corpo
É lascerante
E a dor cortante

As lágrimas correm por meu rosto
E oro incansavelmente
Para que os Deuses
Acabem com meu sofrimento

De pé, à beira do precipício
Sinto minha vida esvair
Sinto cheiro de flores
Ouço uma voz me chamando

Não!
Eu não mereço a morte
Tenho que viver para pagar
Com minha dor e meu sofrimento

Todo o mal que causei
Deverá ser reparado
Custe o que custar
Mas agora... não posso morrer...

domingo, 17 de outubro de 2010

Lamentações

Com linha e agulha na mão
Tracei o seu destino
Na vastidão das estrelas
Bordei cada passo teu
Entrelacei cada momento de tua vida
E te chamei de "Minha perfeita criação"

Mas tu fazes questão de me renegar
Pisas em mim
Tão boa Mãe geradora
Esqueces de Quem te nutri
Esqueces de Quem te dá abrigo
Desrespeita tudo aquilo que toca
Devasta tudo em prol de dinheiro
Humilha e desrespeita o próximo
A troco de quê?


Com agulha e linha na mão
Tracei na vastidão do Universo
Teus passos
Mas não esperava que tudo fosse ocorrer desta forma
Não esperava que tornasses tu Criatura tão mesquinha
Não esperava...
Tracei tudo com tanto carinho
Pus amor em você... "Minha criação"


Hoje entristecida estou
Por vê-los matar-se
Um a um
Por presenciar poucos com tanto
E tantos com pouco
E tantos outros sem nada


Tracei o destino de todos
Mas o livre arbítrio a ti concedido
Mudou tudo
Na vastidão das estrelas
Oro por vocês
E resigno-me com a "Minha Perfeita Criação"

Apenas...

domingo, 3 de outubro de 2010

Sentei-me na relva
Era um dia comum
Era estranho pra mim

Olhava para o céu
Não havia nuvens
Era estranho pra mim

O sol brilhava
E me inundava com seu calor
Era estranho pra mim

A brisa soprava leve
E meus cabelos roçavam meus rosto
Era estranho pra mim

Um sorriso brincava em meus lábios
Uma borboleta
Era estranho pra mim

Fechei os olhos
Inspirei profundamente
Era estranho pra mim

Sentia-me em paz
Feliz
Era estranho pra mim

Quanto tempo duraria
Essa felicidade que parecia infinda
Era estranho pra mim

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

E a rebentação o embalava
Era como se o tempo não existisse
Era apenas o mar

E o som
Tão reconfortante
Que suas lágrimas não mais molhavam sua tez

Queria então ser o mar
Na sua vastidão
Em seu interminável paradoxo de simplicidade e complexidade
Uma onda

Seria só o mar
Inexoravelmente amar

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Foi um processo longo

Enquanto caminhava no negrume dos meus sonhos

A dor me consumia

Enquanto oscilava entre a solidão e o desespero

Não houve tranquilidade nem um por um momento

Era um ciclo, dor, sofrimento, dor

Entre soluços e desenganos

Interminável, era assim

Era tudo e não era nada

Era nada e não era tudo

Uma corrida contra meu eu

Uma corrida por um túnel interminável

Já não sabia mais o que era real e o que era pesadelo

Não havia luz no final

E via seus olhos

Sentia seus braços a me envolver no meu torpor

E meus olhos marejavam

Sentia seu afago em meio aos pedaços de minh'alma

E de repente não havia nada

E de repente não havia nada

Só eu

Só eu

Simplesmente eu

Agonizando em minha dor, na vasta escuridão da minha alma

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

E enquanto os vermes habitavam meus pensamentos
Sentia você se esgueirando
E enquanto meu estômago se agitava
Sentia você se martirizando
E enquanto eu perdia a consciência
Sentia você se esvaindo


Enquanto esvaia
Eu morria


Morriam meus pensamentos
Morriam as cores
Morria a felicidade
Morria o em redor
Morria o tudo mais
Morria o morrer

Enquanto morria
Você sumia