terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Se para ser feliz tenho que ser egoísta
O serei

Se para ser feliz devo agarrar os restos que me atira
Os agarrarei

Se para ser feliz, mesmo que por uns poucos instantes, eu tenha que sofrer por essa escolha
Eu sofrerei

Se para ser feliz tenha que passar por cima das minhas crenças
Eu passarei

Se para ser feliz tenha que me enterrar cada vez mais na escuridão
Me enterrarei
senti a brisa sussurrar em meu ouvido
senti-me abraçada por um raio morno de sol
senti o orvalho sob as plantas de meus pés

não estava escuro
não me senti sozinha
sentei-me na relva

abri meus braços
e senti gotículas em minha face
era o céu que chorava diante de minha serenidade

era apenas eu
o sossego
e o sol

sem temor
sem dor
sem choro

era como se tivesse tirado toda a dor
com mãos grandes
e removido todo o peso de meus ombros

estava leve
com um sorriso a brincar nos lábios
e o olhar distante como o de apaixonados

então me dei conta
que não era eu
estava em minha própria sombra a observar

com meu habitual cinismo
amargura, rancor
e irônias a fervilhar em minha mente

invejosa
e intragavelmente
eu

domingo, 1 de fevereiro de 2009

se pudesse ler seus pensamentos
seria satisfatório viver do lado de cá
entre as sombras dos meus olhos
com sua habital dor pungente

se pudesse ouvir novamente as batidas de seu coração
tentaria aproveitar cada segundo
mas não posso
minha alma não permite esse regalo

se pudesse escrever seu nome novamente
escreveria com meu sangue
para aplacar a dor da perda
que me assalta ao lembrar de seu rosto

se pudesse e quisesse sair daqui agora
o faria por você
meu único motivo pra prosseguir em frente
e continuar a viver

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

e por mais que eu corra
e por mais eu chore
o vazio só aumenta

e por mais que eu queira
e por mais que eu saiba
a distância só aumenta

e por mais que eu ore
e por mais que eu clame
a dor só aumenta

e por mais que eu sofra
e por mais que eu espere
o desalento só aumenta

e por mais que eu grite
e por mais que eu resista
a solidão só aumenta

e por mais que eu queira ser eu
e por mais que eu tente
o abismo só aumenta

sábado, 3 de janeiro de 2009

uma névoa pegajosa me envolve
estou entre a vigília e a consciência
tento gritar por socorro
mas meus lábios não se movem

sinto algo me puxando para o vazio
que existe dentro de mim
e que não me deixa
por mais que eu tente

abro os olhos
e nada vejo
estou cega
pela minha própria dor

as lágrimas caem
uma após a outra
mas não trazem alento
e nem diminuem o sofrimento

não sinto mais meu corpo
apenas uma casca vazia
e desprovida de coisas boas
elas se foram contigo

me torno a cada dia
minha própria inimiga
minando cada momento de paz
cada momento de alegria

remoendo incansavelmente minha dor
lembranças que corroem e dilaceram minha alma
não consigo evitá-las
elas contraem meu estômago

as imagens me machucam
e me sinto convulsionar
não sei se sou ingênua
ou crédula demais

a névoa me envolve mais e mais
o estado de torpor é invitável
não sei se me tornarei uma borboleta
dentro do meu casulo de dor e sofrimento

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Enquanto rastejo em minha auto-comiseração
Vasculho em minhas lembranças
E em cada momento sinto você

É estranho sentir quando lembramos
Mas é isso que acontece
Sinto você

Seu sabor
Seu cheiro
Seu toque

Tudo muito vívido
Tudo muito real
A espreita

Sinto como se te prendesse em meu olhar
Em meus lábios
Em minhas mãos

Mas isso não é possível
A dor reclama seu lugar
E por fim, meu coração se entrega

O calor dá lugar ao frio
E sinto um terror subindo pela minha espinha
Já devia estar familiarizada

Nada é bom demais para durar
Ou talvez
Eu não seja boa o suficiente para que algo dure

A solidão me envolve
Não ouço mais seu riso
Seus sussurros

Não sinto mais teu calor
Apenas minha dor
E descubro com pesar

Que não sou mais ao redor de você
E nem você ao redor de mim
Sou apenas eu

Mais um vez
Incindicional e irrevogavelmente
Sozinha

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O sono me envolve
Ouço o barulho da chuva a retinir no sino da igreja
Penso corcunda que o toca
No noivo que espera sua amada no altar
Nos que confessam seus pecados em busca de absolvição

Nunca me confessei
Mas minha alma vive em penitência
Percorro por caminhos putrídos
Escuros, lodosos, inabitados
Só dor e sofrimento

Por mais que suplique
Por mais que tente me redimir
Por mais que dê o melhor de mim
Não passo de uma corcunda
Que fica no alto da torre tocando seu sino