domingo, 9 de novembro de 2008

Percorri os caminhos tortuosos da minha mente
Encontrei dor, sofrimento, num vale de lágrimas
Profundo e inexoravelmente negro

A cada passo sentia-me afundar
O aspecto lodoso me dá nojo
É escorregadio e pérfido

Sinto-me sozinha ao longo dessa viagem
O frio e a dor me envolvem
É extremamente flagelante

Meus pés, já não os sinto
Há apenas um rastro de sangue e auto-piedade
Sangue de um coração ferido

Sinto-me suja
Mas como limpar uma mente
Que há muito já não experimenta a vida?

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Então eu resolvi tocar-te
E como sempre tudo virou escuridão
Minha mente não permiti o descansar
O sentir, o amar, o passar, o desejar
Ela anseia pelo sofrimento
E viaja ao vale das sombras

Idéias inquietantes pululam frenéticamente
Em uma transmissão elétrica veloz
Numa ferocidade impressionante
Simula fatos que não existem
Encontra provas que não estiveram ali
E passo a não viver

Deito-me sob o salgueiro chorão
E fico a imaginar
Será que um dia poderei simplesmente amar?
Sem me preocupar com meus próprios paradigmas
Sem pensar nessa escuridão que me envolve
Sem sentir o frio da solidão

sábado, 11 de outubro de 2008

Sinto como se o dia e a noite fossem um só
Não vejo o início nem o final de cada um

Sinto como se fosse eterna minha solidão
Já nem sei mais a quanto tempo vago na escuridão

Sinto como se meu corpo já não existisse mais
E cada passo que dou torna-se um movimento involuntário

Sinto como se minha mente já não mais funcionasse
Transformei-me num ser autômato acostumado a sofrer

Sinto como se houvesse um buraco no lugar do meu coração
Mas existe algo que pulsa em seu lugar

Sinto que o tempo nada mais significa
Senão apenas a passagem das lágrimas de dor para as lágrimas de horror

Sinto como se algo faltasse em minha pseudo-vida
Falta uma pseudo-felicidade pra preencher os dias-noturnos intermináveis

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Havia luz até alguns instantes atrás
Caiu a noite
Lúgubre e fúnebre

Levanto meu olhar para o negrúme
Sinto a névoa ao meu redor
E me ajoelho

A insegurança me rodeia
E oro
Clamo

Peço misericórdia pelos meus atos
E espero
Aguardo em silêncio pelo meu julgamento

Até quando ficarei assim
Nas trevas
Na escuridão

Pagando sozinha por erros
Que não foram somente meus
Mas que eu deixei que acontecessem

Até quando
Eu grito
E só escuto o eco da minha voz

domingo, 5 de outubro de 2008

Talvez...

Andei pelos caminho da escuridão
Vasculhei cada canto do meu ser
Descobri que minha alma não tem cor
Me senti vazia
E quando achei que tudo estava perdido
Me senti irremediavelmente caindo

A cair
Escuto vozes
A cair
Ouço risadas malígnas
A cair
A vertigem toma conta de mim
A cair
Sinto olhares

Ninguém pra ajudar
É minha derrocada
Estou só
Desamparada
No escuro
No frio
Sem alento

Será que posso ir mais fundo?
Será que consigo me enterrar mais?
Será que sentirei mais dor?
Será que tenho salvação?
Será que alguém sentirá minha falta?

terça-feira, 23 de setembro de 2008

...

Perdida no meu interior
Me procuro sem saber onde
Recolho-me sem saber como
Saio a procura de mim

Sinto meu cheiro
Vem de algum lugar
Mas não sei de que parte
Nem sei ao menos se é verdade

Minha mente prega peças constantemente
Minha alma chora
Quero meu corpo de volta
Minha liberdade

Sinto flutuar
Ouço vozes
Sussurros
Me chamam

Ainda não é a hora
Ficarei por aqui
Ainda tenho que me achar
Nessa busca sem início e nem fim

domingo, 21 de setembro de 2008

O sol hoje brilha

Sigo por um caminho a muito esquecido
Tudo parece tão claro e limpo

Não ouço meus pensamentos
Nem a minha consciência
Eles querem me acuar

Sigo em frente de cabeça erguida
Vivendo o presente
Sem relembrar o passado

Mas sinto algo passar por mim
E lágrimas me vêm aos olhos
E tudo fica turvo

O sol deixa de brilhar
Seria apenas mais uma peça
Da minha mente devastada

Dos cacos de lembranças
De uma alma remendada
Que sofre em silêncio

Não tenho forças pra gritar
Não tenho forças pra agir
Não tenho forças pra sair

A dor da alma é grande
E chega aos olhos
Gritando e suplicando

Rastejo no meu sofrer
Contorço-me sobre meu suplício
Espero no meu arrependimento

Queria poder ver o sol
Sentir a brisa leve a me tocar
Ser só mais uma entre tantas outras pessoas...