sexta-feira, 3 de abril de 2009

ouço ao longe uma canção
a voz doce e melódica
inebria os meus sentidos
e me sinto flutuar

é como se nuvens descansassem sob meus pés
é como se o vento girasse ao meu redor
é como se eu tivesse meu próprio raio de sol
é como se eu não estivesse mais só

e a canção se torna mais rápida
e a voz doce continua
mas a música
não é mais tão doce e leve

sinto o lamento
sinto a dor
sinto o sofrimento
sinto meu eu novamente

e doce voz passa a soluços
suspiros
tristes e entrecortados
escuto um choro convulsivo

então me dou conta
que é a música da minha alma
os suplícios do meu coração
e a vida pulsando pelas minhas veias

e a doce voz silencia
e a minha mente vazia
e ouvi-la novamente era só o que queria
só o que eu queria

terça-feira, 31 de março de 2009

Porque quanto mais eu te amo
Mais eu me decepciono
Afinal, o que significo pra você?
Apenas mais uma aventura?
Ou talvez uma desventura?
Seria eu apenas mais uma entre tantas outras?
Ou apenas outra entre você e a única?
Será que o que sinto jamais será o suficiente?
Ou querer-te não passa de algo muito distante?
Por que seria você um sonho?
Será que estou acordada?
Afinal, quem sou eu?
Reviro-me em meio ao meus sentimentos
Sinto-me perdida
Como se naufragasse
Aos poucos me afogando
Em minhas próprias lágrimas
Em minha inocência muda
Nesse amor que me consome
Sinto meu estômago revirar
E a febre consumir minha alma doente
Estou cansada de vagar sozinha
Em meio a essa névoa
Descalça
Rejeitada
Traída
Totalmente desacreditada
Sem vida
Queria poder estender minha mão pra ti
Mas...
Sei que não a pegará
Afasta-se e me deixe sozinha
Definhando aos poucos
Nesse amor que você deixou aqui

sexta-feira, 6 de março de 2009

E foi nesse momento que senti seu cheiro
A brisa o trouxe de leve
Acariciando brevemente meu corpo
Entorpecendo meus sentidos

Senti-me tragada por diversas sensações
E pude por um instante apreciá-las
Senti como se me abraçasse
Como se me amparasse na minha dor

Enxugando minhas lágrimas
Lavando o sangue dos meus pulsos
Retirando minhas vestes rotas
Passando o dedo levemente sobre meus lábios

Fitando intensamente meus olhos
Desnudando minha alma corrompida
Beijando minha fronte
Entrelaçando seus dedos aos meus

Sussurrando ao meu ouvido
Que tudos estava bem
Quando na verdade
Era apenas uma peça da minha mente doentia

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Se para ser feliz tenho que ser egoísta
O serei

Se para ser feliz devo agarrar os restos que me atira
Os agarrarei

Se para ser feliz, mesmo que por uns poucos instantes, eu tenha que sofrer por essa escolha
Eu sofrerei

Se para ser feliz tenha que passar por cima das minhas crenças
Eu passarei

Se para ser feliz tenha que me enterrar cada vez mais na escuridão
Me enterrarei
senti a brisa sussurrar em meu ouvido
senti-me abraçada por um raio morno de sol
senti o orvalho sob as plantas de meus pés

não estava escuro
não me senti sozinha
sentei-me na relva

abri meus braços
e senti gotículas em minha face
era o céu que chorava diante de minha serenidade

era apenas eu
o sossego
e o sol

sem temor
sem dor
sem choro

era como se tivesse tirado toda a dor
com mãos grandes
e removido todo o peso de meus ombros

estava leve
com um sorriso a brincar nos lábios
e o olhar distante como o de apaixonados

então me dei conta
que não era eu
estava em minha própria sombra a observar

com meu habitual cinismo
amargura, rancor
e irônias a fervilhar em minha mente

invejosa
e intragavelmente
eu

domingo, 1 de fevereiro de 2009

se pudesse ler seus pensamentos
seria satisfatório viver do lado de cá
entre as sombras dos meus olhos
com sua habital dor pungente

se pudesse ouvir novamente as batidas de seu coração
tentaria aproveitar cada segundo
mas não posso
minha alma não permite esse regalo

se pudesse escrever seu nome novamente
escreveria com meu sangue
para aplacar a dor da perda
que me assalta ao lembrar de seu rosto

se pudesse e quisesse sair daqui agora
o faria por você
meu único motivo pra prosseguir em frente
e continuar a viver

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

e por mais que eu corra
e por mais eu chore
o vazio só aumenta

e por mais que eu queira
e por mais que eu saiba
a distância só aumenta

e por mais que eu ore
e por mais que eu clame
a dor só aumenta

e por mais que eu sofra
e por mais que eu espere
o desalento só aumenta

e por mais que eu grite
e por mais que eu resista
a solidão só aumenta

e por mais que eu queira ser eu
e por mais que eu tente
o abismo só aumenta